A Corrida do Zepelim

O mundo moderno (?) é um autódromo frenético, onde a buzina do sucesso ensurdece qualquer senso de moral. ¹Homo podiuns, a espécie dominante, corre incessantemente, olhos fixos no horizonte de néon, onde o zepelim prateado baila, inatingível miragem de felicidade.

Geni, a musa caprichosa, sorri e acena, mas seus favores são seletivos. Aos mais astutos, revela atalhos sombrios, onde a ética se esgarça e a lealdade se torna artigo de museu.

Na manada frenética, imersos nas conquistas, vale tudo. Colegas viram obstáculos, amizades se desfazem como bolhas de sabão e a máxima maquiavélica "os fins justificam os meios" ecoa como mantra.

O zepelim, cada vez mais distante, suga as energias da multidão. Corpos exaustos, mentes entorpecidas, todos hipnotizados pela promessa vã de que a felicidade se encontra na próxima volta.

Mas, e o amor? E a família? E os valores que outrora nos guiavam? Sacrificados no altar da ambição, jazem como oferendas fúteis.

No espelho retrovisor, o homo podiuns contempla a própria imagem: um ser consumido pela competição, vazio de alma e de propósito.

O zepelim, agora tão perto, parece tão distante. A vitória, outrora tão almejada, converteu-se em pó.

O autódromo silencia. O homo podiuns, exausto e desiludido, percebe que a corrida não tem fim. A felicidade, como um oásis no deserto, é apenas uma miragem, que nada tem a ver com a viagem que não leva bagagem, apenas deixa saudade, memória... e o homem, preso ao ter, foi esquecendo do ser, do lastro que deixará quando sua curta existência se apagar.



1. Homo Podiuns (substantivo) – Espécie humanoide auto suicida, caracterizada pela necessidade incessante de competição, mesmo contra si mesma. Movida pela obsessão em superar, dominar e vencer a qualquer custo, anula a essência do Homo sapiens, tornando-se um ser vazio, prisioneiro do próprio reflexo e escravo de um pódio que nunca basta.

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